Nos últimos anos, tem ficado cada vez mais evidente
o efeito pernicioso do desequilíbrio fiscal sobre o desempenho da economia.
Tomando, mais especificamente, a Dívida Bruta do Setor Público (DBSP), que já
chega aos 62% do PIB, como parâmetro macroeconômico, evidencia-se cada vez mais
a má gestão de algumas variáveis-chave. Temos, pois, que destacar os três
principais fatores determinantes na elevação da dívida pública. São eles: taxa
Selic, PIB e Superávit Primário. Com efeito, a correlação negativa entre essas
variáveis determina o perfil da DBSP e sua trajetória, no caso, ascendente.
Tratemos então de descrever a fórmula simplificada
da DBSP.
Dt = (1+Rt / 1+Yt) . Dt-1 – St
Onde Dt é a DBSP; Rt é a taxa real de juros; Yt é o crescimento real da economia; Dt-1 é a dívida no período anterior; e St é o resultado primário.
Dt = (1+Rt / 1+Yt) . Dt-1 – St
Onde Dt é a DBSP; Rt é a taxa real de juros; Yt é o crescimento real da economia; Dt-1 é a dívida no período anterior; e St é o resultado primário.
Começando pela taxa real de juros, onde se deve
tomar a Selic como referência, temos uma trajetória ascendente desde abril de
2013. Na época, a taxa havia atingido mínima histórica (7,25%), como fruto da
política econômica então expansionista da então chamada Nova Matriz Econômica.
De lá para cá, o BC elevou a Taxa Selic em 7 p.p., para 14,25% a.a, – sendo
sete altas consecutivas – numa tentativa desesperada de fazer a inflação
convergir para o centro da meta de 4,5% a.a. Contudo, tal política monetária
restritiva e desalinhada com a política fiscal é assaz perniciosa para a
economia, especialmente para a produtividade da indústria e segmentos que
depende de crédito para alavancar suas vendas. Desta forma, uma política
monetária tão restritiva, do ponto de vista da administração da taxa de juros,
não sendo este seu único instrumento, gera mais danos do que benefício, exceto
pelo fato de ancorar as expectativas, tendo, obviamente, uma política fiscal
desajustada, com fortes implicações em prejudicar o perfil da DBSP.
A desaceleração econômica do Brasil, cujos efeitos
serão sentidos, sobretudo, em 2015 é um sinal inequívoco de erros cometidos no
passado recente. Em agosto, o principal setor da economia, o de serviço, que
responde por cerca de 70% do PIB, registrou a sexta retração consecutiva,
segundo apontou a pesquisa PMI, atingindo 44,9 pontos. Antes, em julho, o
índice atingira 39,1, baixa recorde. Em abril deste ano, houve um alarmente
fechamento de 97,8 mil postos de trabalho, pior mês de abril desde 1992 – ano
de impeachment de presidente e de inflação extremamente elevada. O PIB, por sua
vez, puxado pela forte retração do investimento, cuja queda fora de 8,1%, registrou
queda de 1,9% no segundo trimestre de 2015 (comparação trimestral); no
trimestre anterior o recuo havia sido de 0,7%. Curiosamente, o gasto público
mostrou expansão de 0,7%. Com a arrecadação pressionada pelo arrefecimento da
atividade econômica e o dispêndio público crescendo ininterruptamente,
obviamente que a conta não fecha, e seu resultado é a DBSP em ascensão.
Aos trancos e barrancos, o governo tenta por em voga
o ajuste fiscal tão necessário, a médio e longo prazo, para o país voltar ao
eixo do crescimento sustentável. A dificuldade de aprovar suas medidas de
ajuste num Congresso hostil – sobre tudo a Câmara –, o desentendimento no
diálogo dos principais ministros da área econômica e articulação política e uma
presidente extremamente impopular, dificulta até mesmo a criação de novos impostos,
algo temerário no atual momento. A meta de superávit primário foi reduzida para
0,15% do PIB – ante 1,1% –, muito abaixo do que o mercado esperava, e
completamente aquém das urgências das contas públicas.
O corte no dispêndio corrente, começando pela
redução do número de ministérios, parece ser uma via mais razoável.
Concomitantemente, um superávit primário considerável e, sobretudo, realista
com uma política fiscal alinhada que garanta a manutenção dos interesses de
longo prazo nação, e que, deste modo, não sobrecarregue a política monetária
praticada pelo BC. Somente assim poderá ocorrer uma gradual redução da Dívida
Pública, abrindo espaço para o aumento do investimento público sem grande
pressão inflacionária que prejudique o crescimento econômico do país.

Nenhum comentário:
Postar um comentário