No
ano de 2013, o PIB brasileiro (conjunto de bens e serviços produzidos no país) cresceu
2,3% em relação a 2012. Conquanto acima das expectativas de mercado – esperava-se
algo mais próximo a 2% -, esse número fica muito aquém das necessidades de
desenvolvimento econômico e real potencial do país. O governo Dilma tem uma política
econômica voltada para distribuição de renda por meio de programas sociais e
crescimento econômico puxado pelo consumo das famílias. Acontece que esse
aumento na demanda agregada, que por sua vez é manca, já que falta um componente
importantíssimo - o aumento do investimento privado –, torna-se especialmente
prejudicial ao crescimento do PIB na medida em que não tem sua contraparte na
oferta para atender tal demanda. Deste modo, o resultado é sempre o mesmo: crescimento baixo e inflação alta.
O
modelo de crescimento adotado suscitou um inimigo que muitos de nós acreditávamos
já ter vencido: a inflação. Entre abril e novembro de 2011, o IPCA (índice de
preço oficial para monitoramento da inflação) estourou o teto da meta de 6,5%
em 12 meses e só voltou para dentro da banda de tolerância em dezembro do
referido ano. Após o alívio da pressão inflacionária, que cedeu até o nível de 4,9%
em junho 2012, o Banco Central (BC) pôde reduzir a taxa básica de juros (SELIC), de 12,5% para 7,25%, de agosto de 2011 para outubro de 2012. Neste cenário, o
governo pôs em voga, de forma mais exacerbada, sua política econômica pra incentivar
o consumo e alavancar enfim o crescimento. O crescimento real da renda média,
que expandiu 9,07% entre 2010 e 2013; manutenção do nível de desemprego em patamares
relativamente baixos – de 6,7% em 2011 para 5,4% em 2013; os sempre crescentes
gastos do governo e os incentivos fiscais, onde destaco as reduções de alíquotas
para produtos da cesta básica; redução de IPI para carros e produtos da linha
branca, além da redução de cerca de 20% para a conta de luz. Com essas ações, o governo tinham a clara
intenção de combater qualquer ameaça vinda da crise financeira 2008.
A
desaceleração da economia chinesa viria a ser o estopim para a crise de confiança
dos mercados emergentes. Tal crise,
somada aos desequilíbrios das contas nacionais e a deterioração dos fundamentos
econômicos, tornou a visão do mercado mais pessimista com relação à economia, e
uma retirada maciça de dólares viria a depreciar o câmbio e pressionar de vez a
inflação. Concomitantemente, o BC não teve outra escolha a não ser elevar a
SELIC, agora não só pra conter a inflação, mas também viria a frear o já lento investimento privado. Com efeito, o tão esperado robusto crescimento econômico era contido
antes mesmo de começar.
Os
entraves que se contrapõem ao modelo de crescimento adotado podem parecer óbvios para
nós. No entanto, apoiar o crescimento econômico, com base no investimento, como
no modelo chinês, cuja taxa de investimento em relação ao PIB gira em torno de 40% - a nossa não passa de 20% -, requer uma mudança um pouco mais profunda em nossas instituições.
Historicamente, o Brasil sempre teve altas taxas de juros – normalmente acima
dos dois dígitos – e só recentemente a conseguiu reduzi-la. Não obstante, em
função dos fatos expostos acima, os juros voltaram a subir e já estão em 10,75%
a.a.
Mais
do que repensar o modelo de crescimento econômico em voga, é preciso implementar
mudanças políticas e institucionais. Pois só assim conseguiremos crescer acima
da média dos 3,3% dos últimos quatro anos sem causar desequilíbrios que
comprometam o crescimento. É preciso reduzir essa alta carga tributária que
beira os 36% do PIB; paralelamente a isso, reduzir a rigidez do orçamento
público para que o dispêndio corrente possa ser reduzido; diminuir e burocracia
que tanto dificulta a vida do pequeno e médio empresário; além de melhorar a
transparência das contas públicas que têm sido tão questionadas quanto a sua
confiabilidade, tornando o ambiente mais familiar para o investimento
estrangeiro. Enfim, são essas as bases para um crescimento sustentável à longo
prazo que o país tanto deseja e necessita.
