domingo, 2 de março de 2014

O crescimento econômico brasileiro

No ano de 2013, o PIB brasileiro (conjunto de bens e serviços produzidos no país) cresceu 2,3% em relação a 2012. Conquanto acima das expectativas de mercado – esperava-se algo mais próximo a 2% -, esse número fica muito aquém das necessidades de desenvolvimento econômico e real potencial do país. O governo Dilma tem uma política econômica voltada para distribuição de renda por meio de programas sociais e crescimento econômico puxado pelo consumo das famílias. Acontece que esse aumento na demanda agregada, que por sua vez é manca, já que falta um componente importantíssimo - o aumento do investimento privado –, torna-se especialmente prejudicial ao crescimento do PIB na medida em que não tem sua contraparte na oferta para atender tal demanda. Deste modo, o resultado é sempre o mesmo: crescimento baixo e inflação alta.



O modelo de crescimento adotado suscitou um inimigo que muitos de nós acreditávamos já ter vencido: a inflação. Entre abril e novembro de 2011, o IPCA (índice de preço oficial para monitoramento da inflação) estourou o teto da meta de 6,5% em 12 meses e só voltou para dentro da banda de tolerância em dezembro do referido ano. Após o alívio da pressão inflacionária, que cedeu até o nível de 4,9% em junho 2012, o Banco Central (BC) pôde reduzir a taxa básica de juros (SELIC), de 12,5% para 7,25%, de agosto de 2011 para outubro de 2012. Neste cenário, o governo pôs em voga, de forma mais exacerbada, sua política econômica pra incentivar o consumo e alavancar enfim o crescimento. O crescimento real da renda média, que expandiu 9,07% entre 2010 e 2013; manutenção do nível de desemprego em patamares relativamente baixos – de 6,7% em 2011 para 5,4% em 2013; os sempre crescentes gastos do governo e os incentivos fiscais, onde destaco as reduções de alíquotas para produtos da cesta básica; redução de IPI para carros e produtos da linha branca, além da redução de cerca de 20% para a conta de luz. Com essas ações, o governo tinham a clara intenção de combater qualquer ameaça vinda da crise financeira 2008.

A desaceleração da economia chinesa viria a ser o estopim para a crise de confiança dos mercados emergentes.  Tal crise, somada aos desequilíbrios das contas nacionais e a deterioração dos fundamentos econômicos, tornou a visão do mercado mais pessimista com relação à economia, e uma retirada maciça de dólares viria a depreciar o câmbio e pressionar de vez a inflação. Concomitantemente, o BC não teve outra escolha a não ser elevar a SELIC, agora não só pra conter a inflação, mas também viria a frear o já lento investimento privado. Com efeito, o tão esperado robusto crescimento econômico era contido antes mesmo de começar.

Os entraves que se contrapõem ao modelo de crescimento adotado podem parecer óbvios para nós. No entanto, apoiar o crescimento econômico, com base no investimento, como no modelo chinês, cuja taxa de investimento em relação ao PIB gira em torno de 40% - a nossa não passa de 20% -, requer uma mudança um pouco mais profunda em nossas instituições. Historicamente, o Brasil sempre teve altas taxas de juros – normalmente acima dos dois dígitos – e só recentemente a conseguiu reduzi-la. Não obstante, em função dos fatos expostos acima, os juros voltaram a subir e já estão em 10,75% a.a.



Mais do que repensar o modelo de crescimento econômico em voga, é preciso implementar mudanças políticas e institucionais. Pois só assim conseguiremos crescer acima da média dos 3,3% dos últimos quatro anos sem causar desequilíbrios que comprometam o crescimento. É preciso reduzir essa alta carga tributária que beira os 36% do PIB; paralelamente a isso, reduzir a rigidez do orçamento público para que o dispêndio corrente possa ser reduzido; diminuir e burocracia que tanto dificulta a vida do pequeno e médio empresário; além de melhorar a transparência das contas públicas que têm sido tão questionadas quanto a sua confiabilidade, tornando o ambiente mais familiar para o investimento estrangeiro. Enfim, são essas as bases para um crescimento sustentável à longo prazo que o país tanto deseja e necessita.

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