sábado, 15 de março de 2014

Pressões dos quatro cantos

Renda variável

Pela quarta semana consecutiva, o Ibovespa encerrou a semana de 10 a 14 de março em queda. Em um início de ano bastante complicado para os mercados de risco, a bolsa brasileira não resistiu às pressões internas e externas e sofreu uma desvalorização de 2,77%. No ano, o recuo já chega a 12,7%. O pessimismo também se estendeu aos mercados norte-americanos, com desvalorização semanal no Dow Jones, SP500 e Nasdaq de 2,35% 2% e 2,31% respectivamente. Quatro questões pressionam o benchmark brasileiro da renda variável: 1) Risco interno de racionamento; 2) Tensões entre Rússia e Ucrânia; 3) Desaceleração na China e 4) Corte do rating brasileiro.


Setor elétrico

Apesar de autoridades do governo negar, o risco de racionamento de energia é eminente. Os níveis dos reservatórios são alarmantemente baixos – os que abastecem a região sudeste estão abaixo dos 20% na média – em função da falta de chuva e falta de investimentos em fontes alternativas na geração de energia, como a eólica por exemplo. O governo vem tentando de todas as formas segurar o repasse do aumento dos custos pelo maior uso de usinas termelétricas aos consumidores – visto que o custo destas é maior que das hidrelétricas – uma vez que este é um ano eleitoral e deixar a inflação subir mais é um custo muito alto pra um governo que tenta se reeleger. Sendo assim, tudo que o governo tem feito é elaborar pacotes de ajuda para o setor, o último foi de R$ 12 bilhões – sendo R$ 4 bilhões do Tesouro e R$ 8 bilhões por meio de captação junto a bancos públicos e privados - e o ônus será o aumento de impostos e parcelamento de dívidas (Refis) ainda esse ano e o aumento da conta de luz em si, ficará pra 2015.

Crise Geopolítica

No fronte externo as tensões entre Rússia e Ucrânia no radar. Neste domingo (15) haverá um referendo para decretar a anexação das Criméia à Rússia. Estados Unidos e União Européia ameaçam impor sanções à Rússia caso esta continue com intervenções militares na fronteira com a Criméia. Ocorre que a Rússia é um grande produtor e fornecedor de petróleo e gás, e isso por si só já deixa os mercados em estado de alerta.

China 

Quanto à economia chinesa, esta, continua dando sinais de desaceleração. A produção industrial do 1º bimestre veio abaixo do esperado ao registra alta de 8,6% - menor taxa desde 2009 - ao passo que o mercado esperava 9,5%, já as vendas do varejo tiveram uma alta de 11,6% no mesmo período, frete a expectativas de 13,5%. O arrefecimento econômico do gigante asiático é algo indesejado, já que seu crescimento impulsiona as demais economias, inclusive a nossa uma vez que a china é o principal parceiro importador de produtos brasileiros, especialmente commodities.

Rating

Por último a questão do rating soberano que volta às discussões com a presença de integrantes da Standard & Poor's que estiveram no Brasil em visita ao Ministério da Fazenda. Muitos especialistas dizem que as chances de um corte na nota de crédito do Brasil pelas agências de riscos ainda esse ano é nulo em função de ser um ano onde não haverá drástica modificação no gastos do governo por ser um ano eleitoral. A meu ver, as chances não são tão remotas assim. Numa hipótese de haver forte deterioração nos fatores geopolíticos externos, fator China e o estrangulamento do setor elétrico, o rating brasileiro, poderia sim, ser reduzido.

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