Renda variável
Pela quarta
semana consecutiva, o Ibovespa encerrou a semana de 10 a 14 de março em queda. Em
um início de ano bastante complicado para os mercados de risco, a bolsa
brasileira não resistiu às pressões internas e externas e sofreu uma
desvalorização de 2,77%. No ano, o recuo já chega a 12,7%. O pessimismo também se
estendeu aos mercados norte-americanos, com desvalorização semanal no Dow Jones,
SP500 e Nasdaq de 2,35% 2% e 2,31% respectivamente. Quatro questões pressionam
o benchmark brasileiro
da renda variável: 1) Risco interno de racionamento; 2) Tensões entre Rússia e
Ucrânia; 3) Desaceleração na China e 4) Corte do rating brasileiro.
Setor elétrico
Apesar de autoridades
do governo negar, o risco de racionamento de energia é eminente. Os níveis dos
reservatórios são alarmantemente baixos – os que abastecem a região sudeste estão
abaixo dos 20% na média – em função da falta de chuva e falta de investimentos
em fontes alternativas na geração de energia, como a eólica por exemplo. O governo
vem tentando de todas as formas segurar o repasse do aumento dos custos pelo maior
uso de usinas termelétricas aos consumidores – visto que o custo destas é maior
que das hidrelétricas – uma vez que este é um ano eleitoral e deixar a inflação
subir mais é um custo muito alto pra um governo que tenta se reeleger. Sendo
assim, tudo que o governo tem feito é elaborar pacotes de ajuda para o setor, o
último foi de R$ 12 bilhões – sendo R$ 4 bilhões do Tesouro e R$ 8 bilhões por
meio de captação junto a bancos públicos e privados - e o ônus será o aumento
de impostos e parcelamento de dívidas (Refis) ainda esse ano e o aumento da
conta de luz em si, ficará pra 2015.
Crise Geopolítica
No fronte
externo as tensões entre Rússia e Ucrânia no radar. Neste domingo (15) haverá
um referendo para decretar a anexação das Criméia à Rússia. Estados Unidos e
União Européia ameaçam impor sanções à Rússia caso esta continue com
intervenções militares na fronteira com a Criméia. Ocorre que a Rússia é um
grande produtor e fornecedor de petróleo e gás, e isso por si só já deixa os
mercados em estado de alerta.
China
Quanto à
economia chinesa, esta, continua dando sinais de desaceleração. A produção
industrial do 1º bimestre veio abaixo do esperado ao registra alta de 8,6% - menor
taxa desde 2009 - ao passo que o mercado esperava 9,5%, já as vendas do varejo
tiveram uma alta de 11,6% no mesmo período, frete a expectativas de 13,5%. O
arrefecimento econômico do gigante asiático é algo indesejado, já que seu crescimento
impulsiona as demais economias, inclusive a nossa uma vez que a china é o principal
parceiro importador de produtos brasileiros, especialmente commodities.
Rating
Por último a
questão do rating soberano que volta às discussões com a presença de
integrantes da Standard & Poor's que
estiveram no Brasil em visita ao Ministério da Fazenda. Muitos especialistas
dizem que as chances de um corte na nota de crédito do Brasil pelas agências de
riscos ainda esse ano é nulo em função de ser um ano onde não haverá drástica modificação
no gastos do governo por ser um ano eleitoral. A meu ver, as chances não são
tão remotas assim. Numa hipótese de haver forte deterioração nos fatores
geopolíticos externos, fator China e o estrangulamento do setor elétrico, o
rating brasileiro, poderia sim, ser reduzido.
